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Poema*


Na primeira noite eles se aproximam, constroem suas igrejas e não pagam impostos. E não dizemos nada.

Na segunda noite tramam converter criminosos, aquartelam soldados, vestem-se como políticos e juízes. E não dizemos nada.

Na terceira noite, já não se escondem: compram as TV’s, fecham cinemas, fecham teatros. E não dizemos nada.

Na quarta noite, proíbem as artes, história, filosofia, sociologia, direito e entre outras, medicina. E não dizemos nada.

Na quinta noite, violentam as mulheres, estupram as crianças e citam seus livros sagrados para se redimirem. E não dizemos nada.

Na sexta noite, embebedam-se da ignorância, acumulam novos versículos de um deus que já nem lembram mais e fazem carreatas em seus veículos divinos. E não dizemos nada.

Na sétima noite, de tanto perceberem o nosso silêncio, entram em nossa casa, roubam-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada.

*livre adaptação do poema "No Caminho de Maiakowski", de Eduardo Alves Costa

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