1º de Maio em tempos de Coronavírus

Difícil falar do Dia do Trabalhador num momento em que, além da grave crise da saúde pela qual passa o mundo, milhões de trabalhadores estão sem trabalho, sem condições de se manter e sobreviver, jogados no desemprego pelos patrões e com pouco ou nenhum apoio das autoridades governamentais, que demonstram incapacidade para lidar com tal cenário, que cometem erros básicos e que muitas vezes são coniventes, senão cúmplices, do que nos fez chegar até a atual situação.

Difícil não reconhecer que o modo de vida que desenvolvemos até hoje é nocivo a vida do ser humano, de todas as espécies do planeta e do próprio planeta.

Difícil deixar de constatar, reafirmar e destacar, que as péssimas condições de vida dos trabalhadores não surgiram, e nem se desenvolveram, a partir do surgimento da pandemia do coronavírus. Ficaram sim, mais evidentes, mais caracterizadas, mais definidas e menos escondidas e dissimuladas, mas sempre estiveram presentes.

Para nos ater apenas aos últimos anos do que se passou no nosso mundo global, é bom lembrar que o trabalhador vem sendo atacado sistematicamente com a retirada dos seus direitos, com o ritmo frenético da precarização do trabalho, com a imposição da “magia” do empreendedorismo (solução fácil e hipócrita para o desemprego), gerando uma infinidade de subempregos que provocam condições sociais, psicológicas e econômicas cada vez mais degradantes.

Frente a tudo isso, é mais do que oportuno lembrar dos trabalhadores anarquistas, mais conhecidos como Mártires de Chicago, das suas lutas e princípios, que em 1887 foram assassinados pelo poder político estatal e pelo poder dos patrões, por terem lutado, organizado e incentivado a Greve Geral de 1886, que exigia o estabelecimento da jornada de trabalho de 8 horas. Não, não há engano no texto, lutavam pela jornada de trabalho de 8 horas!

O que diriam hoje os motoristas de aplicativo, os entregadores de qualquer coisa que se pede pela internet, os comerciários, os terceirizados das empresas, os funcionários públicos, os catadores, os industriários, os intermitentes, enfim, praticamente todos os trabalhadores dessa “perfeita e saudável” sociedade capitalista? Talvez não acreditassem que se lutou e se conquistou a jornada de 8 horas; talvez pensassem “que baita retrocesso!”, em pouco mais de 130 anos.

Por isso, os anarquistas sempre consideraram, consideram e considerarão o 1º de Maio como um dia de luta, onde se homenageia, celebra, se reivindica a capacidade dos trabalhadores de lutar, organizar e conquistar uma vida e um mundo

mais digno e feliz.

“A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”

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